Neste artigo, o artista e psicoterapeuta Henrique Vieira Filho parabeniza a cidade de Socorro/SP pelo título de primeira CittaSlow do Brasil e trata da proposta de vida em que tempo de qualidade é melhor do que em quantidade e desacelerar a apreciação de tudo torna as pessoas mais felizes.
Publicado resumido no Jornal O Serrano, Nº 6299, de 08/04/2022
DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.6492757
Socorro!
Nem estou pedindo amparo (ops), e sim, parabenizando o município por ser a primeira “CittaSlow” (termo que mescla “cidade”, em italiano, com “sem pressa”. em inglês) brasileira!
Cidade de Socorro – Primeira CittaSlow do Brasil
Para conquistar este título, outorgado pela ONG da Itália, cada cidade assina o compromisso de promover, dentre cerca de 70 metas:
- a valorização do patrimônio histórico;
- a comercialização de produtos regionais e do artesanato local;
- a preservação dos costumes e das tradições;
- a renovação dos prédios e das casas antigas;
- a criação de eventos culturais;
- a ampliação das áreas verdes e das zonas de pedestres, o investimento em ciclovias e em transportes alternativos;
- a redução do consumo de energia;
- o desenvolvimento ao comércio de proximidade.
Esta filosofia faz parte do “Slow Movement”, proposta mundial que preconiza a vivência do tempo com maior QUALIDADE para tudo e todos, desacelerando o ritmo de vida, valorizando mais os recursos naturais, conciliando com a tecnologia e modernidade.
O conceito “sem pressa” estende-se para inúmeras áreas, inclusive, as Artes.
Se nossa querida Socorro saiu na frente, assumindo-se como “CittaSlow”, por sua vez, Serra Negra entrou no páreo, tornando-se sede da “Slow Art Week Brazil”, que propõe apreciar, sem pressa, cada obra e trocar ideias sobre a experiência, sob a coordenação de um curador ou artista.
Tanto pelo bem-estar dos moradores, quanto em prol do Turismo, o Circuito Das Águas Paulista pode e deve assumir sua vocação de tranquilidade, buscando o equilíbrio entre as tradições e o novo, mantendo um desenvolvimento urbano ecológico e sustentável e conservando nossa identidade cultural.
“O tempo é muito lento para os que esperam,
Muito rápido para os que têm medo
Muito longo para os que lamentam
Muito curto para os que festejam
Mas, para os que amam, o tempo é eterno.”
Trecho do poema: “For Katrina’s Sun-Dial”, de Henry Van Dyke
Logotipo oficial do Movimento CittaSlow | |
Para saber mais:
Slow Movement:
Desacelere, Viva Muito e Viva Bem!
Viver em um ritmo acelerado, de certo que tem um certo charme (“live fast, die young” – viva rápido, morra jovem…), contudo, considero que a alternativa é bem mais interessante: desacelerar, viver muito e viver bem!
O “Slow Movement” preconiza a vivência do tempo com maior QUALIDADE para tudo e todos.
Se antes, o ditado era “tempo é dinheiro”, a nova versão pode ser “tempo é prazer”.
Começou na Itália, em 1996, com o Movimento “Slow Food”, que contrariava os valores e a cultura associadas ao “fastfood”: a proposta é a de saborear lenta e atentamente a refeição, a qual igualmente levou tempo e atenção para ser preparada, em contraponto às comidas “massificadas” e “pré-fabricadas”.
A “filosofia slow” estendeu-se para inúmeras áreas, enumerando, a seguir, algumas delas:
“Slow Cities” – cidades pequenas, com maior qualidade de vida, como as daqui, do Circuito Das Águas.
“Slow Travel” – apreciar o passeio como um todo, não apenas o destino.
“Downshifting ou Simplicidade Voluntária” – redução de preocupações, de bens materiais, para conquistar mais tempo para o convívio com quem amamos;
“Slow Fashion” – roupas sustentáveis e duráveis; qualidade em detrimento da quantidade;
“Slow Art” – propõe apreciar, sem pressa, cada obra e trocar ideias sobre a experiência, sob a coordenação de um curador ou artista.
Focando o tema para as Artes, museus, galerias e meios de comunicação mensuram o “sucesso” dos eventos pela QUANTIDADE de pessoas circulando, pois não há como medir a subjetividade: o PRAZER e a QUALIDADE da experiência vivida.
Slow Art Week Brazil
Desacelere, Aprecie e Vivencie A Arte
Serra Negra entra no mapa internacional do Slow Art Movement, que conta com a adesão de galerias e museus nas maiores cidades do mundo, que reservam datas em abril de cada ano para que os visitantes apreciem Arte com o “coração”.
Ao invés de apenas visitar uma galeria, ainda melhor será EXPERIENCIAR a Arte, sem pressa!
A proposta do movimento mundial “Slow Art” é que se amplie o tempo de apreciação de cada obra (ao invés de tão somente “passar” por ela….) e os participantes se reunirem para conversar sobre a experiência.
A tartaruga, símbolo mundial da Slow Art em parceria com o brasileiríssimo bicho-preguiça
A proposta do movimento mundial “Slow Art” é que se amplie o tempo de apreciação de cada obra (ao invés de tão somente “passar” por ela….) e os participantes se reunirem para conversar sobre a experiência.
Como grande incentivador da proposta e representante oficial do movimento, no Brasil, Henrique Vieira Filho soma à Arte, sua experiência como Psicanalista, propondo vivências ainda mais enriquecedoras aos participantes.
Com dia e hora previamente agendados, Henrique recebe grupos de até quatro participantes na intimidade de seu estúdio, situado no Circuito das Águas Paulista (Serra Negra/SP), proporcionando a oportunidade de elegerem as obras em exposição que mais lhe impactaram, apreciá-las com conforto e TEMPO e ainda interagir seja conversando sobre as pinturas, seja experienciando uma vivência em Arteterapia.
Algumas curiosidades sobre o Movimento Slow Art:
- Comemorado oficialmente no dia 8 de abril, o “Slow Art Day” é uma ação mundial voluntária, por parte de museus e galerias, com adeptos principalmente nos EUA e também no Brasil, com a Sociedade Das Artes.
- A média gasta por um visitante em frente a uma obra de arte é, segundo o “The New York Times”, de 15 a 30 segundos.
- O Slow Art Day orienta aos observadores das Artes que dediquem de cinco a dez minutos a cada obra escolhida e, então, lhes propicia a oportunidade de conversar sobre a experiência com outros espectadores, comumente, com a mediação de um Artista ou um Curador
- Phil Terry, CEO da Collaborative Gain, Inc. é o idealizador do Slow Art Day. Frequentador rotineiro de galerias e museus, mudou radicalmente seu modo de apreciar e interpretar as obras, após ter experienciado, pela primeira vez, dedicar longos minutos para cada obra, em 2008, no Museu Judaico, passando a incentivar esta forma de vivenciar a Arte.
- Museus, galerias e veículos de comunicação mensuram o sucesso de uma exposição pelo número de visitantes, pois são dados objetivos, e somente com o Movimento Slow Art é que estão dando a devida importância ao subjetivo, ou seja, a satisfação dos frequentadores.
No Brasil, o pioneiro (e também representante oficial do Movimento) em Slow Art é o Artista Plástico Henrique Vieira Filho, sendo que suas Exposições individuais sempre contam com cadeiras para que os visitantes possam admirar confortavelmente as obras, além da contarem com a presença do próprio Artista para conversar sobre as pinturas e esculturas.
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