Se Demoro Aqui, Não Chego Lá

Henrique Vieira Filho e Fabiana Vieira em antigo trem mogiano

É com grande alegria que apresentamos “Se Demoro Aqui, Não Chego Lá”, uma vibrante versão brasileira da clássica canção napolitana “Funiculì, Funiculà”, composta por Henrique Vieira Filho.

A inspiração para esta nova letra vem, em grande parte, da interpretação icônica de “Funiculì, Funiculà” eternizada pelo lendário tenor Luciano Pavarotti, cuja versão é uma das mais conhecidas globalmente. A letra que ele popularizou acrescentou à original detalhes como a menção à vista da Espanha e da França do alto do Vesúvio, e até uma proposta de casamento.

Reconhecendo que os veículos funiculares não são tão presentes ou conhecidos na paisagem cultural brasileira, optamos por atualizar o tema da ascensão e da jornada para o universo dos nossos trens. Assim, a canção ganha um sabor mais familiar e nostálgico para o público brasileiro, celebrando a emoção das viagens ferroviárias e o ir e vir das estações.

Mais do que uma simples adaptação, esta versão é uma homenagem sutil, mas profunda, à inesquecível “Trem das Onze”, de Adoniran Barbosa. Ao longo da letra, você encontrará referências carinhosas e trechos que evocam o charme e a urgência do samba paulistano, criando uma ponte entre a alegria napolitana e a paixão brasileira.

Versão Karaokê – Composição de Henrique Vieira Filho – letras da versão em português e da original em italiano
Versão em canto tenor – Composição de Henrique Vieira Filho

Direitos Autorais e Autoria

Para entender a base legal desta criação, é importante notar que a melodia de “Funiculì, Funiculà”, composta por Luigi Denza (música) e com letra original de Peppino Turco, encontra-se em domínio público no Brasil. Isso significa que sua melodia pode ser utilizada e adaptada livremente, sem a necessidade de autorização ou pagamento de direitos patrimoniais.

“Trem das Onze”, de Adoniran Barbosa, ainda está protegida por direitos autorais. Contudo, as referências e os trechos incluídos em “Se Demoro Aqui, Não Chego Lá” são caracterizados como citações e homenagens, de certa forma, até uma paródia elogiosa e bem-humorada inseridas em uma nova obra autoral, sem reproduzir substancialmente a canção de Adoniran. .

Composta por Henrique Vieira Filho, esta versão brasileira – “Se Demoro Aqui, Não Chego Lá” – passa a ser considerada uma nova obra autoral. Embora se inspire em clássicos e preste tributo a eles, sua letra original e o contexto brasileiro lhe conferem um status de criação independente, de autoria exclusiva de Henrique Vieira Filho.

Esperamos que esta releitura traga um sorriso ao seu rosto e te convide para essa jornada musical única!

Henrique Vieira Filho

Se Demoro Aqui, Não Chego Lá
(Versão brasileira de “Funiculì, Funiculà”)

Compositor: Henrique Vieira Filho

(Refrão)
Vamos, que vamos, o trem já vai chegar! Vamos, que vamos, não posso atrasar! Se demoro aqui, não chego lá. Se demoro aqui, não chego lá. Vamos, que vamos, senão nem chego lá!

(Estrofe 1)
Meu bem, você mesma foi quem me disse: “Não perca esse trem! Nunca perca esse trem!”Amor, isto é um fato, você quem disse:”Depois deste trem, nem sei se tem!”
Amor, o dia foi lindo, mas o tempo urge.De noite está, de noite está.Tem mais: se não me apresso, logo o trem surge!
Já vai chegar, já vai chegar!

(Refrão)
Vamos, que vamos, o trem já vai chegar! Vamos, que vamos, não posso atrasar! Se demoro aqui, não chego lá. Se demoro aqui, não chego lá. Vamos, que vamos, senão nem chego lá!

(Refrão)
Vamos, que vamos, o trem já vai chegar! Vamos, que vamos, não posso atrasar! Se demoro aqui, não chego lá. Se demoro aqui, não chego lá. Vamos, que vamos, senão nem chego lá!

(Estrofe 2)
Pegar esse trem, é uma verdadeira disputaJá vai chegar! Já vai chegar! Me escuta: achar um lugar é uma luta! Para encontrar! Onde sentar! E diz minha mãe: “Se não chegar, eu nem durmo.Eu espero você! Espero você!”
Ainda assim, mesmo de trem eu sempre retorno!
Para te ver! Para te ver!
(Refrão)
Vamos, que vamos, o trem já vai chegar! Vamos, que vamos, não posso atrasar! Se demoro aqui, não chego lá. Se demoro aqui, não chego lá. Vamos, que vamos, senão nem chego lá!

(Refrão)
Vamos, que vamos, o trem já vai chegar! Vamos, que vamos, não posso atrasar! Se demoro aqui, não chego lá. Se demoro aqui, não chego lá. Vamos, que vamos, senão nem chego lá!

(Estrofe 3)
Meu bem, a saudade me acompanha!
E o trem já vai chegarJá vai chegar!
Amor, não ficar triste, nem faça manha
Eu venho te ver! Venho te ver!

(Estrofe 4)
O trem me leva para longe, isto é um fato
Mas, irei voltar! Irei voltar!
O trem chega em um momento, Vamos fazer um trato: Mais um minuto, vou arriscar

(Refrão)
Vamos, que vamos, o trem já vai chegar! Vamos, que vamos, não posso atrasar! Se demoro aqui, não chego lá. Se demoro aqui, não chego lá. Vamos, que vamos, senão nem chego lá!

(Refrão)
Vamos, que vamos, o trem já vai chegar! Vamos, que vamos, não posso atrasar! Se demoro aqui, não chego lá. Se demoro aqui, não chego lá. Vamos, que vamos, senão nem chego lá!

A História de “Funiculì, Funiculà”

Nem se trata de uma antiga canção folclórica napolitana, como muitos pensam, mas sim uma música “propaganda” do final do século XIX!

Foi composta em 1880 por Luigi Denza (música) e Peppino Turco (letra) para celebrar e promover a inauguração do primeiro funicular do Monte Vesúvio, em Nápoles, Itália. Um funicular é um tipo de trem ou bondinho que sobe e desce em um plano inclinado por meio de cabos.

A expressão “Funiculì, Funiculà” é uma derivação lúdica e informal da palavra “funicular”. É um neologismo, ou seja, não existia antes da música com esse propósito e sonoridade tão específica. Portanto, foi um termo “novo” criado para a celebração do funicular. 

Claramente possui elementos onomatopaicos que evocam a ideia de movimento rítmico do funicular subindo e descendo, ou o balanço da viagem, contribuindo para a vivacidade e o apelo da canção.

A letra original, em dialeto napolitano, descreve a alegria e a emoção de subir o famoso vulcão de uma forma tão moderna e divertida, convidando as pessoas a experimentarem a novidade: 

A música foi um sucesso estrondoso desde o seu lançamento, vendendo mais de um milhão de cópias em seu primeiro ano e se tornando mundialmente famosa. 

Muitos compositores da época, como Richard Strauss, chegaram a pensar que era uma canção folclórica tradicional devido à sua popularidade e a incorporaram em suas obras, o que inclusive gerou processos judiciais por parte de Denza!

Mesmo após o funicular original ter sido destruído por uma erupção do Vesúvio em 1944, a música continua a ser um hino alegre e vibrante, celebrando a engenhosidade humana, a beleza da paisagem napolitana e o espírito de aventura.

É uma canção que, apesar de ter nascido com um propósito comercial, transcende seu objetivo inicial e se tornou um dos símbolos musicais mais conhecidos da Itália.

Funiculì, Funiculà
(Versão de Pavarotti – Letras intercaladas: italiano e português)

Aissera, oje Nanniné, me ne sagliette,
Ontem à tarde, oi Aninha, eu fui,
tu saje addó, tu saje addó
sabes para onde, sabes para onde?
Addó ‘stu core ‘ngrato cchiù dispietto
Para onde este coração ingrato não pode me desprezar mais!
farme nun pò! Farme nun pò!
ele não pode me fazer mal! ele não pode me fazer mal!
Addó lu fuoco coce, ma se fuje
Onde o fogo queima, mas se tu foges
te lassa sta! Te lassa sta!
ele te deixa estar! ele te deixa estar!
E nun te corre appriesso, nun te struje
E não te persegue, não te consome,
sulo a guardà, sulo a guardà.
só de olhar, só de olhar.

Jamme, jamme ‘ncoppa, jamme jà,
Vamos, vamos, pro topo vamos, já!
Jamme, jamme ‘ncoppa, jamme jà,
Vamos, vamos, pro topo vamos, já!
funiculì, funiculà! funiculì, funiculà!
Funiculì – funiculà, funiculì – funiculà!
‘ncoppa, jamme jà,
Pro topo vamos, já,
funiculì, funiculà!
funiculì – funiculà!Né, jamme da la terra a la montagna!
Vamos do sopé à montanha, Aninha!
Nu passo nc’è! Nu passo nc’è!
Sem (termos de) caminhar! Sem (termos de) caminhar!
Se vede Francia, Proceta e la Spagna…
Podes ver a França, a Prócida e a Espanha…
Io veco a tte! Io veco a tte!
e eu vejo a ti! e eu vejo a ti!
Tirato co la fune, ditto ‘nfatto,
Puxados por uma corda, antes de nos darmos conta,
‘ncielo se va, ‘ncielo se va.
vamos para o céu, vamos para o céu.
Se va comm’ ‘a lu viento a l’intrasatto,
Vamos rápidos como o vento e de repente,
guè, saglie, sà!
já subimos! Jamme, jamme ‘ncoppa, jamme jà,
Vamos, vamos, pro topo vamos, já!
Jamme, jamme ‘ncoppa, jamme jà,
Vamos, vamos, pro topo vamos, já!
funiculì, funiculà! funiculì, funiculà!
Funiculì – funiculà, funiculì – funiculà!
‘ncoppa, jamme jà,
Pro topo vamos, já,
funiculì, funiculà!
funiculì – funiculà!Se n’è sagliuta, oje né, se n’è sagliuta,
Subimos, Aninha, já chegamos ao topo!
la capa già! La capa già!
O topo já! O topo já!
È gghiuta, po’ è turnata, po’ è venuta,
(O funicular) Foi, e retornou, e voltou novamente…
sta sempe ccà! Sta sempe ccà!
Está sempre aqui! Está sempre aqui!
La capa vota, vota, attuorno, attuorno,
O topo gira, gira, ao redor, ao redor,
attuorno a tte! Attuorno a tte!
ao redor de ti! Ao redor de ti!
Stu core canta sempe nu taluorno:
Este coração canta sempre um desafio:
Sposamme, oje né! Sposamme, oje né!
Vamos nos casar! Vamos nos casar! Jamme, jamme ‘ncoppa, jamme jà,
Vamos, vamos, pro topo vamos, já!
Jamme, jamme ‘ncoppa, jamme jà,
Vamos, vamos, pro topo vamos, já!
funiculì, funiculà! funiculì, funiculà!
Funiculì – funiculà, funiculì – funiculà!
‘ncoppa, jamme jà,
Pro topo vamos, já,
funiculì, funiculà!
funiculì – funiculà!

Curiosidades sobre “Trem das Onze”

Trem das Onze“, de Adoniran Barbosa, é um dos sambas mais amados e emblemáticos do Brasil, especialmente de São Paulo. Mas por trás de sua letra aparentemente simples, há várias curiosidades fascinantes:

  • O Trem Existiu de Verdade (e o das 11 também!): Sim, o famoso “Trem das Onze” não era uma invenção de Adoniran. Existiu uma linha de trem que ligava a Serra da Cantareira (zona norte de São Paulo) ao centro da cidade, passando por bairros como Jaçanã. O último trem noturno partia, de fato, às 23h (onze horas). Essa linha funcionou entre 1894 e 1965, sendo desativada um ano depois da música fazer sucesso.
  • Adoniran Não Morava no Jaçanã: Embora a letra diga “Moro em Jaçanã”, Adoniran Barbosa nunca residiu nesse bairro da zona norte. Ele morava em Santo André na época da composição. Ele próprio confessou que escolheu “Jaçanã” porque simplesmente rimava perfeitamente com “amanhã” (“só amanhã de manhã”), o que demonstra sua genialidade em priorizar a musicalidade e a narrativa.
  • Lançamento e Sucesso com Outro Grupo: A música foi composta por Adoniran em 1964, porém, o maior sucesso e a popularização vieram com a gravação do grupo Demônios da Garoa no mesmo ano.
  • Prêmio no Carnaval do Rio: Apesar de ser um samba genuinamente paulista e retratar o cotidiano de São Paulo, “Trem das Onze” surpreendentemente venceu o Prêmio de Músicas Carnavalescas do IV Centenário do Rio de Janeiro em 1965. Um reconhecimento nacional que atravessou a rivalidade musical entre as duas cidades.
  • Adoniran Gravou a Sua Própria Voz… Depois!: Adoniran Barbosa só foi gravar sua própria versão de “Trem das Onze” dez anos depois do sucesso dos Demônios da Garoa, em seu primeiro LP lançado em 1974. Essa gravação com seu sotaque único e sua interpretação singular consolidou a canção como um de seus maiores clássicos em sua própria voz.
  • A Linguagem Popular: Adoniran Barbosa foi um mestre em usar a linguagem do povo, especialmente dos imigrantes italianos e das camadas mais humildes de São Paulo, em suas composições. Enquanto outros sambistas buscavam uma linguagem mais “refinada”, Adoniran se apropriava do português coloquial, com suas “licenças poéticas” e “erros” gramaticais (que ele dizia que “tem que saber falar errado”), para retratar o cotidiano paulistano com humor e autenticidade.
  • Humor e Tragédia Cotidiana: A música é um retrato bem-humorado de um dilema comum: o desejo de ficar com a pessoa amada versus a responsabilidade familiar (a mãe que não dorme enquanto ele não chegar) e a limitação do transporte público. É um samba-canção que equilibra a leveza e a realidade da vida urbana.

Trem das Onze” é mais do que uma música; é um pedaço da história de São Paulo e da identidade brasileira, eternizado pela sensibilidade e genialidade de Adoniran Barbosa.

Trem Das Onze – Letra

Adoniran Barbosa

Não posso ficar nem mais um minuto com você
Sinto muito amor, mas não pode ser
Moro em Jaçanã, se eu perder esse trem
Que sai agora às 11 horas, só amanhã de manhã

Além disso, mulher, tem outra coisa
Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar
Sou filho único. Tenho minha casa pra olhar.
Não posso ficar!

Não posso ficar nem mais um minuto com você
Sinto muito amor, mas não pode ser
Moro em Jaçanã, se eu perder esse trem
Que sai agora às 11 horas, só amanhã de manhã

Citation

VIEIRA FILHO, H., & VIEIRA FILHO, H. (2025). Registro – Direito Autoral – Compositor: Henrique Vieira Filho (Letra) – “Se Demoro Aqui, Não Chego Lá” (Patent). Sociedade Das Artes. https://doi.org/10.5281/zenodo.16573676

Henrique Vieira Filho e Fabiana Vieira em antigo trem mogiano
Henrique Vieira Filho e Fabiana Vieira em antigo trem mogiano