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Ancestralidade

Ancestralidade

Quando penso na anciã, penso em mim mesma, numa casinha bem charmosa, com muitas ervas na cozinha, um jardim florido, crianças correndo no quintal e um café fresquinho sendo feito! Penso que a minha mão desliza sozinha, para escolher uma plantinha para um chá, uma outra erva para o pão, e outra para um banho energizante. Penso nos livros que li, nas histórias que vivi e em todos que me iluminam a vida e dos que ainda irei passar algum conhecimento. Faço o convite, para você me visitar nessa casinha, farei uma breve apresentação do Arquétipo da Anciã, sinta-se em casa e boa leitura!

A anciã muitas vezes, vista como a mais velha, sábia, que já está encerrando ciclos, a transmissora das verdades, da sabedoria. Um arquétipo, que podemos vivenciar em qualquer fase da nossa vida. Temos diversas literaturas, mitos e símbolos desse arquétipo. Conhecemos os mitos de Hécate, Kali, Cailleach, Sofia, Nanã e Clitemnestra, exemplos esses bem característicos do arquétipo da Anciã/Matriarcado. Acredito que devemos que realizar esse resgate do ancestral, dos nossos Deuses Interiores, ter essa conexão conosco, nos mais diferentes arquétipos que podemos exercer no nosso dia a dia e em fases da vida.

Anciã, simboliza a senhora da sabedoria, conhece o oculto, ligada a magia (mistérios e entendimento dos processos naturais). Regendo as mortes, que nada mais são que transformações, mudanças, novos ciclos. Algumas pessoas aceitam essas mudanças, então se alinham com a sua ancestralidade, alguns ainda resistem a essas transmutações.

A ancestralidade, ligada a esse arquétipo é muito forte. Participa da criação, nos nutre com seu empenho e dedicação, e nos recebe na morte (encerramento de ciclos), a fim de nos preparar para uma nova jornada. Algumas vezes pode se sentir rancoroso ou vingativo, quando se sente destronado, colocado de lado. Porém também pode nos ajudar a encontrar um aspecto feminino mais intenso e preparado.

Um dos arquétipos que mais me fascina seria da Nanã, que nas religiões de matrizes africanas, se apresenta como uma entidade que participou da criação do mundo, que presenciou e foi ativa na criação de tudo, e é apresentada, agora, como a Anciã. Em vários contos, ela é representada como a junção da água e terra, nos dando o barro, ou seja o poder de criação. Com isso em mente, podemos fazer a conexão com nutrir uma relação ou um trabalho. A serenidade de realizar essa tarefa com primor e a contento, a satisfação de produzir algo com seus próprios desejos e empenho.

Esse arquétipo, domina o fim da maternidade (criação), representando então encerramento de ciclos, e o início de um outro tipo de maturidade, a conclusão da fertilidade, não é somente da reprodução, mas de se manter fértil, seja para executar tarefas do dia a dia, seja para educar filhos ou quem sabe para ajudar os demais. Uma pessoa fértil é a que nutri, que mantém ativa o “solo” que desejou plantar.

Hécate, que muitas vezes é representada como uma única tríplice, seja com três corpos ou três cabeças, nos transmite, que devemos passar pelos três campos (criação, fertilidade e morte) para chegarmos na maturidade, aprender a esperar, para uma nova jornada e o entendimento da fertilidade permanente.

Cailleach, que sempre é apresentada como a que controla tudo: o tempo, estações do ano, céu, terra. Sendo inicialmente, vinculada as estações frias, nos remete a longas esperas e introspecção. Em quase toda mitologia, apesar de ser uma anciã, ela é representada de aspecto jovem. Um detalhe importante, pois entendemos que não importa a idade física, podemos encontrar em nós esse arquétipo. Alguns contos, nos apresentam, essa Divindade, como protetora da natureza, animais; já em comunhão com a Artemis, um bom paralelo, pois proteger e entender a natureza e seus mistérios é uma importância ancestral, de quase todas as divindades femininas.

Na mitologia Indiana, teríamos a referência de Kali, que nos mostra que a anciã pode ter as duas faces, da criadora e da destruidora (transformadora), se entendemos que do Caos, vem a criação, o novo, Kali, mais uma vez no mostra que o entendimento para a transformação, é um aspecto bem forte para esse arquétipo, a abertura de feridas, para o real entendimento das limitações.

Entender a simbologia e os arquétipos, nos auxilia a compor um padrão, para as características parecidas, nas pessoas que estaremos auxiliando. Pois ao estudarmos cada aspecto de um símbolo/mito/conto; estaremos analisando um fragmento finito, das possibilidades, que esse ainda pode apresentar, pois sempre podemos ter uma nova visão de algo, pois também estamos modificando e criando novas opiniões.

A pessoa que está com esse arquétipo em equilíbrio, se mostra uma pessoa que busca um conhecimento profundo, dos aspectos que deseja aprender, já para o que não deseja, faz um corte preciso. A pessoa, entende, que está sendo receptora de informações, vibrações e tem uma sensibilidade para a consciência ampliada. Normalmente ligada a natureza, a cuidados naturais, a arte e trabalhos manuais.

Já em desequilíbrio, essa pessoa, se desprende do sagrado, da sensibilidade em diversos estados (seja num conhecimento mais profundo, num contato espiritual com alguma crença, perde o contato com a natureza, ou se torna rancorosa e manipuladora), ou seja, precisa se reconectar, com o sagrado, com a ancestralidade, manter o foco no que realmente precisa e continuar cuidando, de si e dos outros, na medida que lhe cabe.

Acredito que tenhamos, principalmente na atualidade, fazer o resgate da Ancestralidade, da reconexão com a natureza, na simplicidade, no cuidado das dores, na conexão real com as pessoas, com a sensibilidade e principalmente no Sagrado Interior.

Quando as pessoas se dedicam a resgatar seus poderes, eles aprendem a honrar a sabedoria ancestral, ao conhecer os mitos/símbolos/arquétipos se auto conhecem com a energia sutil.

“Se a demanda do autoconhecimento for desejada pelo destino e recusada, essa atitude negativa pode acabar em morte verdadeira. A demanda não teria chegado à pessoa se esta ainda não tivesse capaz de guiar para algum atalho promissor. Mas ela está presa num beco sem saída, do qual somente o autoconhecimento poderá arrancá-la” (C. G. Jung)

Fabiana Vieira

Terapeuta Holística

TERAPEUTA EM SINCRONICIDADE: REIKI

PSICOTERAPIA HOLÍSTICA

FITOTERAPIA

08/2018

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