Destaques de Henrique Vieira Filho

Freud, Nossas Bisav?s E Os Vibradores

Freud, Nossas Bisav?s E Os Vibradores

As milenares T?cnicas T?ntricas aliam-se ao centen?rio Orgasmo eletromec?nico e a curiosa origem dos vibradores no S?culo 19 como tratamento para todos os males da mulher, atualmente resgatado como instrumento terap?utico nas vers?es modernas da milenar arte t?ntrica.

Quando iniciei-me no universo “alternativo”, h? algumas d?cadas, o Tantra era quase exclusivo aos pares formados entre os pr?prios terapeutas, como meio para equilibrar os centros energ?ticos e atingir a transcend?ncia, tendo a sexualidade e amor como instrumentos. Eventualmente, era ofertada como terapia para casais, com estes participando de cursos onde aprendiam a teoria e pr?tica t?ntricas.

J? nos ?ltimos anos, surgiu uma nova turma de “gurus do sexo”, propondo outras formas de dispor do tantrismo como terapia. Pol?micas ? parte, no formato adotado por estes grupos neo-t?ntricos, j? n?o ? mais pr?-requisito o casal, sendo que, no caso do Cliente procurar a terapia individual, caber? aos profissionais fazerem o papel complementar, seja o masculino, ou o feminino. Por meio do toque, respira??o e movimentos, prop?e-se a ativa??o da energia da l?bido, harmonizando e redistribuindo por todo o ser.

O orgasmo, ainda que n?o seja a finalidade, ? comum ocorrer neste processo. Neste contexto t?o diferente do que era h? algumas d?cadas, deparamos tamb?m com o uso de luvas de borracha (assepsia e tentativa de minimizar a erotiza??o do toque por parte dos profissionais) e, no caso da clientela feminina, o acr?scimo de um recurso eletromec?nico: os vibradores…

Por sinal, esta metodologia vem obtendo grande aten??o da m?dia…

Em primeira impress?o, parece uma “moderniza??o” da t?cnica, por?m, a verdade ? que nada mais ? do que a volta a uma pr?tica muito comum no final do S?culo 19 e primeiras d?cadas do 20, justificada por milenares interpreta??es machistas atribu?das a Hip?crates. Este chamava de histeria, aos sintomas f?sicos sem causa aparente, condi??o que considerava tipicamente feminina, raz?o pela qual, pressupunha que a origem do problema deveria estar no ?tero, ao qual atribu?am o estado de “ardente”…

Eis que no puritano universo ocidental nos idos de 1850, uma “epidemia” do g?nero tomou conta das recatadas damas da sociedade e, o ?nico tratamento conhecido para a “histeria” era o toque clitoriano, que era realizado pelos m?dicos, em seus consult?rios.

A manipula??o era continuada at? que a Cliente atingisse o “paroxismo hist?rico”, que era considerado um esp?cie de “ataque de histeria” obtido em ambiente controlado.

Em decorr?ncia disto, os sintomas f?sicos desapareciam e os maridos ficavam satisfeitos em constatar esposas mais calmas e felizes. Ou seja, pareciam desconhecer o que era um ORGASMO feminino, mas, pelo menos, j? utilizavam de seus benef?cios para o equil?brio somatops?quico…

Eis que aqui, j? podemos justificar a presen?a de Freud no t?tulo deste artigo, pois, foi justamente trocando informa??es com seus colegas que trabalhavam nesta linha de terapia, que firmou sua convic??o de que problemas ligados ? sexualidade eram a origem e a chave para solucionar in?meros dist?rbios.

A Psican?lise trabalhou esta hip?tese e, nesta linha, ningu?m ousou mais que seu disc?pulo dissidente, Wilhelm Reich, que publicou os in?meros benef?cios do “cl?max” sexual, em sua obra: “A Fun??o Do Orgasmo“.

A procura por esta terapia “miraculosa” era tamanha que os consult?rios n?o davam conta de atender, j? que dependiam da destreza manual dos profissionais, que come?avam a sofrer danos por esfor?os repetitivos.

Como alternativa, experimentava-se os jatos de ?gua, mas, como podemos constatar pela figura a seguir, no formato que adotaram, n?o era pr?tico, nem eficiente.

Eis que em 1880, o doutor Joseph Mortimer Granville, patenteia o primeiro vibrador eletromec?nico, de fabrica??o encomendada com seu relojoeiro. Rapidamente, a id?ia foi aperfei?oada por v?rias empresas, at? conseguirem tamanhos port?teis e baixo custo, o que possibilitou que todo lar pudesse ter ao menos um equipamento para o tratamento da “histeria” sem mais depender de ir a consult?rios m?dicos.

A popularidade era grande e com as ben??os da sociedade machista, que bem ignorava as demais potencialidades deste instrumento terap?utico.

Propagandas em revistas, jornais e cartazes, n?o raro, anunciavam os equipamentos como “a maior descoberta m?dica de todos os tempos”, capazes de proporcionar “paroxismos hist?ricos” de alta intensidade, eficientes para tratar de todas as mazelas femininas.

Seja a bateria, ou a manivela e at? por ar comprimido, h? grandes chances de nossas bisav?s (isso se o leitor for da mesma faixa et?ria que eu, claro…) terem usufru?do das maravilhosas inven??es terap?uticas.

Por?m, ? bem prov?vel que nossas av?s e m?es n?o tenham tido a mesma oportunidade, pois, a partir de 1920, com o advento dos filmes pornogr?ficos, finalmente a sociedade machista e puritana tomou conhecimento dos potenciais usos destes equipamentos.

Assim sendo, de terapia dom?stica indispens?vel em qualquer lar que se preze, os vibradores passaram a ser enquadrados como inadequados ?s “mulheres de bem”.

Os fabricantes n?o se deram por vencidos, e buscaram outras formas de divulgar de forma mais discreta, a disponibilidade para compra. Desde an?ncios em que as figuras estavam aplicando os vibradores na… t?mpora (!), at? literalmente vendidos disfar?ados em caixas que anunciavam aspiradores de p?, e outros ofertados como aparelhos de “m?ltiplas utilidades”, onde os motores serviam, em primeira an?lise, como batedeiras de bolo, mas, que possu?am acess?rios que, uma vez conectados, possibilitam utilidades bem diferentes.

Apesar desta estrat?gia, ? fato que entre as d?cadas posteriores a 1940, a popularidade dos vibradores desapareceu, vindo a ressurgir, nos anos 70 em diante, assumindo seu car?ter de instrumento voltado ao prazer feminino.

Assim sendo, como a Terapia Hol?stica tem por tradi??o resgatar terap?uticas milenares ou, ao menos, seculares, at? que n?o ? de estranharmos que a linha t?ntrica traga de volta, mais uma antiga pr?tica do tempo de nossas bisav?s, ou seja, o vibrador, como uma panac?ia universal…

Na certeza de que o tema ? muito pol?mico e que ainda carece de normas t?cnicas espec?ficas, que s? poder?o ser criadas ap?s amplo debate entre os profissionais, aliados ? an?lise jur?dica da quest?o, que fique este artigo, como uma forma bem-humorada e curiosa de trazer o assunto para discuss?o.

Henrique Vieira Filho ? artista pl?stico, escritor, jornalista e psicanalista.

Sua experi?ncia de d?cadas como terapeuta, em especial, com a Psican?lise Junguiana, lhe possibilita uma familiaridade ?mpar com a mitologia e as imagens on?ricas, sempre presentes em suas telas.

www.henriquevieirafilho.com.br

[email protected]

+55 11 93800-1262

Summary
Article Name
Dia Do Orgasmo - Freud, Nossas Bisav?s E Os Vibradores
Description
Neste Dia Internacional Do Orgasmo, o Terapeuta Henrique Vieira Filho nos traz o curioso fato hist?rico do uso generalizado de vibradores nos idos de 1850 a 1920.
Author
Publisher Name
Henrique Vieira Filho - Psicanalista
Publisher Logo

Add Comment

X
X