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O Apego Do Artista Às Suas Obras

“Les Brésiliens vus par les Brésiliens” (Os Brasileiros vistos pelos Brasileiros),

Para quem não é do ramo, pode parecer estranho… Conheço vários Artistas Plásticos que se apegam tanto às suas criações que não conseguem as colocar à venda!

Para que comecem a compreender, vou compartilhar a resposta de uma colega, à tradicional pergunta:

” _ Quanto tempo você leva para pintar uma tela?

“ _ Cerca de 50 anos…” – é a resposta que ela utiliza!

E é verdade… Afinal, leva uma vida para aprender, desenvolver e personalizar técnicas e atingir o resultado atual. Cada tela tem sua história e quanto mais profunda, tanto maior é o apego do Artista.

Recentemente, minha obra “Urban Aphrodite” ganhou um novo lar:

Henrique Vieira Filho e Sandra Zanini

Esta obra agrega tantas histórias, decorrendo, a princípio, em grande apego.

Contudo, no meu caso, como gravurista (artista que opta por criar mais de um exemplar original de cada obra, por meio de matrizes…), não sofro tanto do dilema título deste artigo, pois sempre guardo um dos originais para minha própria galeria!

A gravura é a solução democrática, tanto para o Artista, quanto para quem adquire obras de Arte, pois permite que se trabalhe com valores monetários bem mais acessíveis.

Por exemplo, você pode adquirir uma gravura certificada e assinada por Salvador Dali por até US$ 10000 no mercado, enquanto que um original dele que seja único, teria um valor imensurável.

As “tribos” modernas, com grafites e muralismos urbanos foram a inspiração para esta Afrodite cosmopolita, retratada como “Urban Aphrodite“.

Esta obra faz parte da Série Afrodites (“Aphrodites”), a qual homenageia o feminino, em todas a sua diversidade, tendo como elo de ligação, em cada pintura, a pose da deusa em “O Nascimento de Vênus”, de Sandro Botticelli.

As telas celebram a diversidade, com figuras femininas de representações étnicas distintas e os grafismos tribais aplicados nem sempre coincidem com a origem ancestral presumida de cada personagem retratada.

O propósito é ressaltar que a orientação filosófica de cada um segue os ditames do coração e que este não se prende a estereótipos, transcendendo toda e qualquer expectativa corporalmente presumida.

Making of – processo criativo para a obra “Urban Aphrodite”

Urban Aphrodite” foi a minha oficialização no mundo das Artes Plásticas, a primeira tela que pintei, derivando de minha participação no livro “Les Brésiliens vus par les Brésiliens” (Os Brasileiros vistos pelos Brasileiros), com lançamento no Salão do Livro de Paris, em março de 2016.

A proposta exigia fotos em preto e branco, que foram muito bem recebidas, sendo que igualmente me requisitaram versões coloridas, culminando em mais um livro de Artes, de nome Diversidade, composto por Fotografias Fine Art, onde o biotipo étnico de cada indivíduo fotografado, ainda que possa predominar em uma direção, jamais nega a miscigenação de nosso povo e nunca limitará sua visão de mundo.

A orientação de vida de cada um transcende a própria tradição étnica ancestral.

Desenvolvi e apliquei padrões gráficos baseados em tribais indígenas brasileiros (especialmente, artesanatos marajoaras…), africanos, orientais, célticos e, até mesmo, modernos grafites urbanos, os quais foram projetados (literalmente, via projetor…) tendo a pele como tela. Complementarmente, incluí pintura corporal, como reforço à proposta étnica.

Capa do livro de Arte “Diversidade”, de autoria de Henrique Vieira Filho

Nesta sequência, fui “desafiado” a migrar da fotografia para a pintura, sendo que escolhi justamente a capa do livro Diversidade para iniciar esta nova etapa.

A obra fui muito bem recebida no mercado, sendo exposta, quase que simultaneamente (esta é uma das vantagens das gravuras…) em exposições coletivas e individual em São Paulo e Miami.

Art & Design Gallery – Miami – USA

Art Lab Gallery – São Paulo – Brasil

Urban Aphrodite e Kundalini – Inn Gallery – São Paulo – Brasil

Urban Aphrodite” é uma obra que ainda circula o mundo, estando uma das originais na “badaladísima” Saatchi Art, galeria de origem inglesa dentre os nomes mais bem conceituados do mundo das Artes.

Em suma, além da técnica e valor quantitativo de mercado, cada obra de Arte agrega a história de vida do Artista, bem como sua própria trajetória, envolvendo galerias, museus, curadores, sendo vista por centenas de apreciadores em vários países.

Daí o apego de muitos Artistas, que opto em sublimar em prazer de ver minhas telas “adotadas” por quem saiba lhes dar o devido valor e uma bela parede para morar!

Henrique Vieira Filho é artista plástico, escritor, jornalista e terapeuta holístico. Nas artes, é autodidata e seu estilo poderia ser classificado como surrealismo figurativo.

Por mais de 25 anos, esteve à frente da organização da Terapia Holística no Brasil, sendo presença constante nos meios de comunicação. Elaborou as normas técnicas e éticas da profissão, além de ser autor de dezenas de livros e centenas de artigos, que são adotados como referência em vários países.

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O Apego Do Artista Às Suas Obras
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O Apego Do Artista Às Suas Obras
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O Artista Plástico e Psicanalista Henrique Vieira Filho relata o apego dos criadores às suas obras e justifica contando a incrível história de uma de suas telas, que viajou o mundo e mudou sua trajetória da fotografia para a pintura.
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Sociedade Das Artes
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