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Henrique Vieira Filho e seu artigo no Jornal O Serrano

DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.5744247

Artigo publicado originalmente no Jornal O Serrano, em 15 de outubro de 2021

Arteterapia no Serviço Público de Saúde, de Novo Horizonte / SP

Todos conhecem a sofrida história pessoal de Vicent Van Gogh; o que poucos sabem é se sua contribuição, indireta, para a Arteterapia.

Nos locais que lhe foram fonte de inspiração (e até de internação…), hoje florescem aulas de pintura e atendimentos terapêuticos por meio da ARTE.

Tive o privilégio de espairecer nos mesmos campos e paisagens por onde Van Gogh trilhava e foi uma ótima oportunidade de reflexão sobre a importância da Arte como ferramenta de acesso ao inconsciente.

Por isso, parabenizo a Prefeitura de Serra Negra por incluir a Arteterapia em seu recente chamamento oficial para as próximas Oficinas Culturais de 2021.

Muito além de uma proposta sazonal, trata-se de uma atividade que merece continuidade, pois extrapola o campo da Cultura, sendo melhor enquadrada como uma técnica da Saúde.

Nos anos 90, tive a honra de implantar e coordenar, no serviço público de saúde de nove cidades (Novo Horizonte / SP, Espírito Santo do Turvo / SP, Onda Verde / SP, Rio Claro / SP, Paracatu / MG, Nova Era / MG, Matozinhos / MG, Água Comprida / MG e Galvão / SC), uma série de técnicas que, nos dias atuais, o Ministério da Saúde busca ofertar, por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC).

Foram obtidos ótimos resultados, com tamanha aceitação da população, que nossos trabalhos foram objetos de reportagens elogiosas nos mais diversos veículos de comunicação, desde os mais singelos regionais, até os de maior repercussão, como Jornal Nacional e Movimento GNT.

Formávamos caravanas de profissionais voluntários que atendiam gratuitamente (inclusive, bancando os materiais utilizados) nos postos de saúde e escolas, centenas de pessoas a cada final de semana, com Acupuntura, Terapia Floral, Tai Chi Chuan, Bioenergética, Shiatsu, Fitoterapia, dentre muitas outras técnicas, incluindo a Arteterapia, que é o tema deste artigo.

Esta técnica é equivocadamente confundida com atividades de educação artística, porém, o objetivo é bem outro, pois não se trata de obter aprendizados técnicos, nem de produzir obras de arte.

Outro impressão errônea é supor que praticar atividades artísticas em si, já constitui toda a terapia, como se fosse um “relaxamento”, com a singela proposta de “desestressar”. Claro, esta é uma das facetas, que por si só, já justificaria ser disponibilizada a Arteterapia para todos.

Contudo é muito mais complexo do que isso: o Arteterapeiuta deve criar um ambiente seguro em que os participantes, por meio de atividades lúdicas, despertem sua criatividade, propiciando autoconhecimento e a mudanças em várias áreas, sendo as mais comuns: comportamento, elaboração da realidade e/ou preocupações com a mesma, incremento na capacidade de ser bem-sucedido nas situações da vida (aumento máximo das oportunidades e minimização das condições adversas), além de conhecimento e habilidade para tomada de decisão.

Ou seja, é uma forma de Psicoterapia onde, ao invés de deitar no divã e falar, os participantes expressam suas vidas, de forma espontânea e criativa,  por meio de pintura, desenho, modelagem, dança, canto, fotografia (dentre outras possibilidades) e, com o auxílio do profissional que coordena, passam a conhecer melhor a si mesmos, seus sentimentos e potencialidades.

Ainda que, logo nas primeiras sessões, seja perceptível o ganho de bem-estar, o ideal é que os encontros semanais sejam mantidos por meses seguidos, para maximizar os resultados.

Um dos estímulos a que as prefeituras mantenham este trabalho continuado é o baixo custo, pois basta espaço físico e materiais de arte simples, até mesmo, originários de reciclagem.

Há ainda, uma ferramenta pouco explorada pelos próprios Arteterapeutas, a qual, nos dias atuais, é relativamente acessível à maior parte da população: a fotografia digital (via câmeras de celulares, inclusive…).

Em um de meus mais recentes livros, “Fotopsicoterapia – A Fotografia Como Instrumento Terapêutico”, pioneiro sobre a técnica  no Brasil, ensino aos demais profissionais as amplas possibilidades da imagem fotográfica na prática psicoterápica.

A população serrana só tem a ganhar com as oficinas de Arteterapia e me coloco à disposição para ajudar, atender e até formar novos profissionais e reforçar nossa vocação como sendo “A Cidade Da Saúde”!

Arteterapia no Serviço Público de Saúde, de Novo Era / SP

Cite as

HENRIQUE VIEIRA FILHO. (2021). A Arteterapia No Serviço Público. O Serrano, CXIII(6276). https://doi.org/10.5281/zenodo.5744247

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